Homens que tricotam!

Posted by Valesca Posted on ago - 16 - 2011

 

 

 Homens que tricotam! Sim, você não leu errado. Eles existem e  são excelentes tricoteiros.
Aproveitamos e entrevistamos dois exemplares dessa belíssima espécie.

 

 

 

Como vocês aprenderam a tricotar e desde quando tricotam?
Leonardo: Eu aprendi a tricotar com a mãe de uma amiga no início da faculdade, mais ou menos entre 2003 e 2004. Durante uma visita a casa dela, pedi para me ensinar e ela logo foi colocando um par de agulhas na minha mão e me ensinando, aprendi os pontos meia e tricô naquela ocasião e depois todo o resto fui aprendendo sozinho ou com a ajuda dos grupos.

Natan: Eu aprendi a tricotar vendo vídeos na internet. Eu comecei a me interessar porque quando eu era menor, sempre via minha mãe bordando tapetes, mas nunca pude aprender. Mais tarde eu ouvi falar sobre o tricô, e achei intrigante como com duas agulhas e fio era possível fazer uma peça de roupa. Quis aprender então esta arte, conheci os grupos de tricô e desde então não consegui mais parar. Isso tudo começou no início de Outubro de 2010.

 O que é o tricô para vocês?
Leonardo: O tricô pra mim é uma espécie de fuga, quero tricotar em todos os momentos, quando estou no ônibus, metrô, até quando estou estudando tenho que parar pra me concentrar no que estou lendo, mas é nos momentos de tristeza em que eu realmente me agarro para não pensar em mais nada, então acaba sendo uma terapia.

Natan: Para mim, tricô é uma meditação. Eu posso estar super estressado, mas quando tricoto, eu me acalmo, eu esqueço os problemas e volto meus pensamentos apenas para o tricô. Enquanto isso eu posso refletir sobre mim ou sobre meu dia. Assim como posso também tricotar em grupo, o que me dá grande alegria e satisfação.

 Já aconteceu alguma situação engraçada em relação ao tricô?
Leonardo: As situações mais engraçadas, acho, são as que acontecem no meu blog, quando às vezes as pessoas não lêem meu perfil, e me tratam como se eu fosse uma senhora. Algumas vezes eu tento corrigir e outras deixo passar, mas sempre levo no bom humor e acho engraçado esse tipo de situação.
Natan: Já aconteceram várias situações cômicas. O que eu sempre me divirto é de ver a reação das pessoas quando me vêem tricotando. Normalmente, quando estou na sala de aula e o professor já terminou o assunto, eu aproveito para tricotar. Ao perceber isso, eles começam a me perguntar o que eu estou fazendo, e normalmente acham que é crochê. Os meus amigos, agora que se acostumaram, também se divertem ao ver essas reações.

Qual tipo de projeto mais gostam de tricotar?
Leonardo: Os projetos desafiadores, é legal fazer coisas rápidas também e práticas, mas é só me dizer que algo é complicado que logo me atiça a mão pra começar a fazer, trabalhos em lace são um bom exemplo disso, apesar de o tempo não ter me deixado fazer muitos ultimamente.

Natan: Eu adoro tricotar meias e xales. As meias eu gosto pois, posso fazer uma infinidade de pontos, e terminar rapidamente para ver o resultado. Uma meia é diferente da outra, e como é possível utilizar muitos pontos, receitas é o que não faltam. Isto vale também para os xales, que eu adoro tricotar. Os meus favoritos são os rendados, estes me fascinam quando prontos.

Meninos, dêem uma dica para outros homens que querem aprender a tricotar.
Leonardo: Eu acho que o principal desafio, apesar de parecer óbvio, é vencer o preconceito, não dá pra ficar ligando para o que as pessoas dizem. Então o que realmente importa é se você gosta de algo e se sente bem fazendo isso, eu mesmo tenho as minhas barreiras a vencer, mas o primeiro passo acho que já dei, que foi começar e aprender e é claro, não desistir nos primeiros erros.

Natan: Acho que todo o homem deveria tricotar. É normal ficar meio desajeitado no começo, mas é inexplicável a sensação de terminar uma peça e dizer: “Fui eu que fiz!”.  Uma dica que eu dou é começar no tricô junto com um grupo. Fica muito mais fácil e divertido, se você participar de um encontro de tricô e ver como funciona, como as pessoas se divertem, sem falar da quantidade de técnicas e pontos que irá aprender.

O que inspira cada um de vocês a tricotar a uma peça?
Leonardo: Realização, prazer, emoção, gosto, alegria… é tanta coisa junta que nem sempre dá pra descrever de onde vem a inspiração ou o que me leva a começar um projeto, às vezes é o desafio, às vezes é a pessoa querida a quem pretendo presentear com aquela peça, mas quase sempre é o bem estar que sinto simplesmente por estar tecendo alguns pontos. Por vezes me senti mal por ter ido dormir e não ter tricotado naquele dia, nem que seja uma simples carreira antes de ir deitar. Então talvez o que me motive e me inspire a tricotar seja o próprio tricô.

Natan: O que me inspira a tricotar alguma peça é o diferencial nela. Pode ser apenas uma borda feita em i-cord, ou então um super desenho rendado, o importante é ter algo de diferente. Quando eu começo uma peça, eu quero terminá-la logo, para ver como ficou com a cor que eu escolhi, com o meu ponto, com o fio que eu usei com  a agulha usada. Isso é o mais divertido, 5 pessoas podem tricotar a mesma peça, seguindo a mesma receita, mas as peças nunca serão iguais.

Vocês sofreram algum tipo de preconceito porque tricotam? Como vocês lidaram com essa situação?
Leonardo: Nunca encarei como preconceito, as pessoas que me vêem tricotar são sempre muito próximas e queridas, então o que mais vejo em outras situações é a surpresa que elas levam ao saber disso, a de que um homem sabe tricotar. Preconceito? Talvez o que todos nós escutamos, homens e mulheres, a velha frase:  “Isso é coisa pra velho” .

Natan: Eu já enfrentei e enfrento muito preconceito por fazer tricô. É dizer que eu faço tricô para começarem as suposições, sem nem ao pior conhecer. Acho que o mais difícil foi o início, porque ninguém esperava por isso. Claro que minha família e meus amigos me apoiaram, e acharam isso curioso, gostaram muito da idéia. Mas quando tricotei pela primeira vez em sala de aula, foram várias as brincadeiras que fizeram. Mas para a minha sorte, foram apenas brincadeiras bobas, que logo pararam. Eu não tive dificuldade para lidar com isso, pois enquanto uma pessoa brincava, eu tinha um grupo inteiro que me falava para mostrar as minhas peças, que elogiava meus trabalhos e me dava dicas de tricô. Isso para mim, toda essa amizade e companheirismo foi o mais importante.

Leonardo tem 29 anos e tricota há 10 anos. Adoram projetos desafiadores como meias com modelagem diferentes e tricô rendado. Pode ser encontrado no blog:  acheioponto.wordpress.com

 

Natan tem 16 anos, é estudante de eletrônica  e também adora tricotar meias e xales rendados.
Para conhecer os trabalhos dele, visite o blog: natanknits.wordpress.com
 


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2 Comentários nesta postagem.

  1. jorge soares disse:

    ola a todos,
    eu estava pensando em iniciar essa actividade através de máquina de tricô mas gostaria de saber quais as dificuldades que vou enfrentar…(quanto dinheiro precisarei investir, etc…)

    obrigados a todos pela ajuda,
    Jorge Soares

  2. Tricoteiras disse:

    Oi Jorge
    de tricô a máquina a gente não entende absolutamente nada. Apenas de tricô manual.

    []s
    Clara