Homens que tricotam

Posted by Valesca Posted on set - 05 - 2012

Nós adoramos entrevistar tricoteiros! E o entrevistado da vez é o Felipe, que atende por Brazilian Knitter no Ravelry, onde eu vi seus belíssimos trabalhos quando estava fazendo uma pesquisa sobre Shetland, vi que o Felipe adora Fair Isle,  e não só gosta como fez uma belíssima homenagem a essa técnica de entrelaçar fios coloridos formando lindos desenhos. Vamos conhecer um pouco mais sobre ele?

Tricoteiras: Quem é o Felipe ou Brazilian Knitter?
Brazilian Knitter é um advogado, de 32 anos, habitante de São Paulo e que se encantou pelas infinitas possibilidades artísticas que o tricô oferece. Meu blog é Brazilian Knitter. Ele ainda não possui conteúdo, mas, em breve, postarei comentários, observações e impressões sobre o foco do meu interesse.

Tricoteiras: Quando e porque você começou a tricotar?
Felipe: Aprendi quando criança. Minha mãe me ensinou o estilo português de tricotar e limitei-me a fazer um cachecol. À época, o ambiente externo não favoreceu o desenvolvimento do meu interesse nessa arte. Foi apenas há aproximadamente três anos, quando decidi fazer uma blusa para mim, que percebi que não tinha conhecimentos técnicos suficientes para concretizar minha pretensão. Ali começou uma jornada investigativa e de aprendizagem que espero nunca terminar. Nessa caminhada, deparei-me com personalidades que foram cruciais para meu desenvolvimento, as quais considero serem minhas mentoras: Elizabeth Zimmermann e Meg Swansen. Em Elizabeth, admiro a concepção plástica e tridimensional que ela atribuiu ao tricô. Ao reproduzir quaisquer de suas criações, você sente que está literalmente “esculpindo” a peça. Foi um gênio: única e incomparável. Em Meg, admiro sua sofisticação e refinamento artístico. Suas obras são de uma beleza ímpar.

Tricoteiras: Você gosta bastante do estilo Fair Isle, de onde veio essa paixão (podemos chamar de paixão, certo?)
Felipe: Para os que não sabem o que é o estilo “Fair Isle”, trata-se de uma técnica supostamente oriunda da ilha “Fair Isle”, localizada no norte da Escócia, no qual formas geométricas específicas são desenhadas com a mescla de diferentes cores. O resultado é um trabalho colorido e alegre, além de muito elegante. A paixão por esse estilo veio de um DVD de Meg Swansen chamado “Fair Isle Vest”. É um tutorial em que Meg ensina a tricotar um colete nesse estilo. O vídeo é encantador, não só pelo conteúdo didático, mas por toda a produção: as tomadas feitas por seu marido, a localidade em que foi filmado, as peças cedidas por diversas tricoteiras para uma sessão de demonstração feita por Meg. Enfim, o vídeo é uma verdadeira obra de arte. Assim, decidi reproduzir a peça, entusiasmado pelo desafio da complexidade aparente desse estilo. Ao final, percebi que o estilo “Fair Isle” não é tão complicado assim. Adquiri dois livros dedicados ao assunto, das autoras Sheila McGregor e Alice Starmore, nos quais pude aprofundar meu conhecimento sobre o estilo e perceber que as possibilidades de desenhos e combinação de cores são infinitas. Em seguida, veio o desafio de reproduzir uma peça tradicional existente num museu da ilha Shetland, na Escócia, a partir de apenas duas fotos existentes nesses livros. Foi uma saga e tanto. Mas ao final, consegui completar minha odisséia e a dediquei a uma grande tricoteira chamada Joyce Williams, amiga de Meg Swansen, mas que, infelizmente, não tive a chance de conhecer. Fiz um vídeo sobre esse projeto que está disponível no youtube.
Tricoteiras: Os DVDs da EZ e Meg Swansen estão na minha lista de desejo e  nós falamos um pouco sobre tricô colorido aqui.

O que é mais gratificante no tricô?
Tricoteiras: O prazer do manuseio do fio, do movimento das agulhas e a satisfação de ver “nascer” uma obra criada por você mesmo.
Tricoteiras: Nada mais gratificante do que o “Eu que fiz” :)

Tricoteiras: Quais são seus materiais favoritos?
Felipe: Lã. Isso significa um fio composto por fibra animal. Pode ser uma composição de 100% lã ovina ou, ainda, uma mescla (“blend”) que combine lã ovina com outras fibras animais, como angorá, camelo, entre outros. A leveza e capacidade de moldagem da fibra animal são inigualáveis.
Tricoteiras: Nós também amamos lã (♥)

Tricoteiras: Você tem um livro predileto?
Felipe: Sem dúvida, os livros escritos por Elizabeth Zimmermann e Meg Swansen. Além destes, gosto muito de todas as publicações feitas pela Editora Schoolhousepress (fundada por Elizabeth e hoje comandada por Meg). Os livros que ela edita são sempre dedicados a assuntos específicos e em relação aos quais não há muita coisa escrita. Percebo que o propósito dessa editora é preencher lacunas importantes existentes hoje na literatura do tricô.
Tricoteiras: Os livros da EZ são de extrema importância para o universo do tricô. Uma pena não serem traduzidos para o Português, mas se você tem fluência em Inglês, não deixe de ler.

Tricoteiras: Qual é o seu projeto preferido? E porquê?
Felipe: Meu projeto favorito é o “baby surprise jacket”, criado por Elizabeth Zimmermann, em 1968. É uma verdadeira obra de engenharia. Só depois de tricotá-la é que você percebe a graciosidade que acaba de criar. E daí que vem o nome de “surprise”. É uma criação clássica e atemporal, além de ser uma obra emblemática da genialidade dessa grande artista.

Não deixem de assistir o desafio do Felipe que virou uma belíssima homenagem a Joyce Williams.

Categories: Notícias

6 Comentários nesta postagem.

  1. Rosa disse:

    Nossa q matéria boa!!! e o sweater, maravilhoso , amei as cores, parabéns ao Felipe,e a vcs pela matéria , tricotar tmbm é cultura.

  2. Sergio disse:

    Belissimo filme.
    Eu faço trico e croche por prazer,e gosto de saber que outros homens também o fazem. Trico e croche é uma arte que o brasil ainda entende como, uma pena!

  3. m izabel disse:

    Parabéns ao Felipe a ao Tricotereiras pelo post.

    Beijos,Bel

  4. Alexandre disse:

    Que matéria linda!
    Parabéns Felipe, você é muito talentoso no tricô. Tricoteiras, este site está cada vez melhor!

  5. Rô Cerqueira disse:

    uau!
    que maravilha de trabalho produzido por Felipe… parabéns!
    obrigada pelo post, é sempre bom conhecer trabalhos assim.

  6. Mateus disse:

    Recado para Sergio e Alexandre! Acho o máximo quando me encontro com mais rapazes tricoteiros-arteiros como eu. Sempre nos reunimos na loja Pintar e Bordar em encontros mensais. Juntem-se a nós! será um prazer tê-los conosco. As datas e os horários dos nossos encontros estão no site da loja. Abraços e até em breve!